Publicado em 12 de Março de 2026.
Levantamento mostra mudança no comportamento de compra, com consumidores buscando presentes mais econômicos.
Uma nova pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise revela um cenário de transformação acelerada no sistema de pagamento nacional. O estudo, que mapeia o comportamento de internautas nas 27 capitais brasileiras, aponta que o país vive a era da “Agilidade com Medo”: uma transição digital de alta velocidade impulsionada pelo PIX, mas que ainda mantém um pé no conservadorismo por necessidade de segurança financeira.
O PIX consolidou-se como o protagonista absoluto do mercado, sendo utilizado por 80% dos consumidores como principal meio de pagamento no dia a dia. Sua ascensão é marcada por um crescimento expressivo em todos os canais de consumo.
Quando avaliado os meios de pagamento mais utilizados por canais de compra, nas lojas físicas o PIX é utilizado principalmente por 41% dos consumidores, um aumento de 8 pontos percentuais em relação a 2025. Nas lojas online o uso do PIX é ainda maior, sendo prioridade para 55% dos entrevistados, com um aumento também de 8 pontos percentuais em relação ao ano passado. Nas contas de consumo como água, luz, telefone e internet vemos a maior predominância do PIX, sendo utilizado por 66% dos consumidores, um crescimento de 14% comparado com 2025.
A rapidez e praticidade são os maiores atrativos para o uso (69%), mas o ecossistema já evolui para funções mais complexas, como o PIX Parcelado, já utilizado por 38% dos usuários, e o agendamento de contas (36%), desafiando diretamente o território tradicional do cartão de crédito.
Bancarização: contas exclusivamente digitais superam as físicas
O Brasil apresenta um alto índice de bancarização, com 97% dos entrevistados possuindo conta bancária. O modelo híbrido domina (55%), e as contas exclusivamente digitais (23%) já superam as exclusivamente físicas (20%), com forte adesão do público jovem.
Contudo, a digitalização total ainda encontra barreiras práticas e psicológicas. De acordo com os entrevistados, o fator determinante na escolha do pagamento é a segurança e o medo de golpes (43%), superando a busca por velocidade e praticidade (34%).
A pesquisa revela o pragmatismo e a busca por segurança na jornada de pagamento do consumidor: 92% dos consumidores mantêm sua autonomia financeira por meio de recursos de pagamento físicos, estando preparados para efetuar transações com cartão (68%) ou dinheiro (24%) mesmo diante de falhas tecnológicas, como a falta de bateria no celular.
“Embora o PIX tenha atropelado métodos tradicionais e a digitalização avance a passos largos — com contas digitais já superando as físicas entre os jovens — existe um teto de vidro imposto pela segurança e pela infraestrutura. Mesmo entusiasmado com a inovação, o consumidor mantém um pé no conservadorismo por necessidade de autonomia financeira: ele quer a velocidade do digital, mas não sai de casa sem a garantia do físico caso a bateria do celular acabe ou a conectividade falhe”, aponta o presidente da CNDL, José César da Costa.
Medo de golpes é uma barreira para o uso de pagamentos digitais
O estudo identifica um perfil de consumidor com medo no uso de tecnologias como o pagamento por aproximação. De acordo com o levantamento, 68% dos entrevistados temem sofrer golpes, apesar de a incidência real de fraudes ser de apenas 7%.
Para o futuro, os brasileiros apostam na continuidade da dominância do PIX (36%) e na integração de meios digitais como biometria e pagamentos via relógio (26%). Inclusive, 46% dos entrevistados já aceitariam o reconhecimento facial em estabelecimentos comerciais para economizar tempo no checkout.
86% já fizeram pagamento via QR Code
Outra modalidade de pagamento que cresceu nos últimos anos é o QR Code. Oito em cada dez consumidores (86%) já utilizaram QR Code na hora de pagar alguma compra ou conta. As principais razões destacadas para utilização são a rapidez (54%) é o fator número um. A eliminação de erros e a agilidade logística também pesam: 44% usam para evitar a digitação manual de chaves e 38% citam a ampla aceitação no comércio.
O crescimento esbarra em questões de confiança: 26% dos usuários têm baixa segurança na ferramenta. Há um empate entre a dificuldade técnica de uso (24%) e o medo de clonagem ou roubo de dados (24%), sugerindo que, para uma parcela da população, a interface ainda não é intuitiva ou segura o suficiente.
Para converter quem ainda não utiliza, o foco deve ser educativo: 47% afirmam que precisariam de mais informações sobre como a modalidade funciona. A segurança (37%) e o aumento da rede de aceitação comercial (26%) são os gatilhos necessários para a adesão desse grupo.
“O QR Code se estabeleceu como a “ponte visual” do PIX, ganhando o varejo pela eficiência em eliminar o atrito da digitação. Economicamente, ele reduz erros operacionais. No entanto, os dados revelam um gargalo de aprendizado: enquanto a maioria já usa, os resistentes não o fazem por falta de clareza ou por receio de segurança digital. O fato de quase metade dos não-usuários pedir “mais informação” indica que o mercado ainda falha em comunicar as camadas de proteção do código. É uma ferramenta de alta penetração, mas que ainda carrega o estigma de ser “tecnológica demais” ou menos segura para o consumidor mais conservador”, destaca Costa.
81% já utilizaram pagamentos por aproximação
Em relação ao pagamento por aproximação do cartão, 81% dos usuários de cartões ou carteiras digitais já utilizam a modalidade. O cartão físico ainda é o protagonista (73%), mas o celular já conquistou quase metade dos entrevistados (48%), consolidando o uso de carteiras digitais. A frequência de uso é variada: 37% utilizam “sempre”, enquanto a maioria (45%) adota o uso “às vezes”.
A rapidez e praticidade (64%) são os grandes motivos de uso, reforçados pelo benefício de não precisar digitar a senha (41%). Curiosamente, a segurança é citada como motivo de escolha por apenas 19%, indicando que o foco é quase exclusivamente a conveniência.
Por outro lado, a falta de confiança (47%) e o medo de clonagem (28%) são os principais freios para quem ainda resiste à tecnologia.
A pesquisa mostra que existe um abismo entre o receio e a realidade: 68% têm medo de golpes, embora 89% nunca tenham sofrido qualquer fraude. A incidência real de vítimas é de apenas 7%. O levantamento aponta ainda que questões técnicas também pesam na hora de usar o cartão por aproximação: 27% dos não-usuários afirmam que a função não está habilitada em seus cartões.
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